Consagrada Dominicana

No dia 8 de Dezembro, de 1855, com dezoito anos, Teresa de Saldanha, fez, particularmente, a sua consagração a Deus. A partir daí, procurou viver mais intensa e intimamente a relação pessoal com Jesus, o grande e único amor da sua vida.

Escreve esta oração reveladora desse compromisso:

Meu Amado Esposo, Só Vós sabeis a alegria que sinto quando considero que mais de um ano decorreu já, desde que o meu coração, pela primeira vez, entre os Vossos sagrados abraços, ardeu em desejo de Vos possuir, meu amado e doce Jesus, por meu único Senhor e Mestre. Como pudestes ser, por tanto tempo, insensível aos meus rogos? Vinde, não vos detenhais.
Eu desejo, sobre todas as coisas, fazer a Vossa Divina Vontade e reconheço humildemente que estou pronta, absolutamente pronta, para obedecer aos Vossos Mandamentos e cumprir o que desejardes de mim; mas é mau que eu diga isto e, contudo, só tenho um desejo, que é o de Vos pertencer inteiramente, ó meu Jesus.
Oh! Eu sinto a toda hora que me estais chamando cada vez mais para Vós.
Nada neste mundo me encanta ou atrai, o meu deleite é pensar em Vós, falar de Vós, abrir-Vos o meu coração e introduzir todo o meu afecto na chaga do Vosso Sagrado Coração.
Posso já chamar-me esposa de Cristo, mas, no entanto, ainda não Vos consagrei o meu coração para sempre, foi só por um limitado espaço de tempo.

O sonho de se consagrar a Deus pelos votos na Congregação que fundou, só foi possível muitos anos mais tarde, quando já tinha cinquenta anos, no dia 2 de Outubro de 1887.

A própria Teresa conta porque escolheu ser dominicana:

Pensava eu na Ordem de São Domingos, pelo motivo da grande devoção que eu tinha para com este Santo, hereditária em mim pela devoção que sempre houve na minha família paterna para com a Ordem de São Domingos. Na capela dos meus pais existia uma imagem muito milagrosa do nosso Santo Patriarca e até havia uma tradição, que desde criança ouvi contar, que esta imagem tinha falado uma vez e dito um segredo a uma das minhas avós. Esta imagem ficou-me pertencendo depois da morte de meu pai. São Vicente Ferrer, é o Santo padroeiro da minha família. Tenho lido o Lacordaire e muito gosto. Mas, que impressão, parece-me que se está aqui passando o mesmo que naquele tempo se passava em França, as leis tão opostas e depois, o que o Lacordaire sentia: desejos e receios; isto que tão bem percebo. E o seu amor irresistível pela solidão. Cuidava ser essa a sua vocação e não era. Como eu percebo isto tudo. Mas, tenho quase vergonha de dizer isto, receando que possa fazer supor eu me atrevo a pôr-me na altura do Lacordaire, tão cheio de talento, e tão superior. Mas, como admiro a nossa santa Ordem! Quem é liberal não pode deixar de ser Dominicano.