50 anos de presença em Castro Daire: uma história tecida no quotidiano do bem

Há cinquenta anos, a Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena chegou a Castro Daire com a simplicidade de quem deseja apenas “fazer o bem sempre”, deixando que o Evangelho se torne presença viva no meio do povo. Hoje, meio século depois, celebramos não apenas uma data, mas uma história feita de rostos, gestos, dedicação e fé partilhada.

A primeira comunidade – formada pelas Irmãs Maria de Fátima Fernandes de Castro, Maria de Santo Aleixo da Costa Oliveira e Maria Manuela dos Anjos – lançou as sementes de uma missão que, ao longo das décadas, cresceu e se enraizou profundamente na vida da vila e das suas gentes. Com elas começou um caminho de proximidade marcado por aulas, catequese, pastoral dos doentes, acompanhamento da terceira idade e uma presença fraterna que ultrapassava as paredes da casa, estendendo-se às ruas, às famílias e às necessidades mais simples de cada dia (cf. Memória das Datas, p. 108).

Ao longo destes 50 anos, 31 Irmãs passaram por Castro Daire, cada uma deixando a sua marca discreta e fiel na construção desta história. Todas contribuíram para que o carisma dominicano de Santa Catarina de Sena – vivido na humildade, na verdade e na caridade – se tornasse visível e fecundo. Os seus nomes estão gravados numa lápide inaugurada hoje, 22 de junho de 2026, ao lado da Igreja de Castro Daire.

Hoje, a missão continua viva através das três Irmãs que compõem a comunidade atual: Irmã Maria Celeste de Jesus da Silva Dias, Irmã Maria Silvina Cardoso Botelho e Irmã Madalena Ester Muaca. Atualmente têm uma Noviça que está prestes a terminar o Estágio Apostólico.  Com a mesma simplicidade das primeiras Irmãs, continuam a escrever diariamente esta página de serviço, oração e presença junto do povo de Castro Daire e arredores.

Os seus testemunhos ajudam-nos a compreender como o carisma dominicano – e, de modo particular, o espírito de “fazer o bem sempre” – permanece vivo e gerador de esperança.

Testemunhos da Comunidade Religiosa

Irmã Maria Celeste de Jesus da Silva Dias

Pergunta: O que mais a tem marcado na vivência do carisma “fazer o bem sempre” ao longo destes anos em Castro Daire?

Resposta:
“O que mais me tem marcado é a força transformadora dos pequenos gestos. O acolhimento simples, a alegria partilhada, a simpatia que abre portas, a capacidade de escutar com paciência e ternura, a partilha que aproxima e cura. Ao longo dos anos, percebi que ‘fazer o bem sempre’ não é apenas uma frase bonita: é um modo de viver. É transmitir esperança a todas as pessoas, sobretudo às mais fragilizadas, aquelas que carregam dores escondidas e que precisam de alguém que as veja, as escute e as acompanhe. É aí que o carisma se torna vida e missão.”

Irmã Maria Silvina Cardoso Botelho

Pergunta: Como sente que a presença da comunidade religiosa contribui hoje para a vida espiritual e humana das pessoas de Castro Daire?

Resposta:
“Sinto que a nossa presença é, antes de tudo, proximidade. Estamos junto do povo com empenho, simplicidade e disponibilidade. A nossa vida religiosa é um testemunho silencioso, mas firme, de que Deus continua a caminhar com o seu povo. Procuramos apoiar tudo o que promove o crescimento espiritual, porque foi para isso que fomos chamadas: para ser presença que anima, que reza, que acompanha, que escuta e que se faz ponte entre as pessoas e Deus. As pessoas reconhecem este cuidado, e nós reconhecemos, com gratidão, que também somos evangelizadas pelo povo que servimos.”

Irmã Madalena Ester Muaca

Pergunta: Que desafios e esperanças identifica para o futuro da missão da Congregação em Castro Daire?

Resposta:
“Entre os desafios para o futuro, sinto que somos chamadas a continuar a semear o bem no meio do povo onde estamos inseridas. A missão não se esgota no que já fazemos; ela pede criatividade, abertura e coragem para discernir novas formas de presença. Para além da pastoral catequética, das visitas aos doentes e idosos e do acompanhamento espiritual que já realizamos, vislumbro a possibilidade de abraçarmos outras dimensões pastorais, especialmente no âmbito educativo. As escolas podem tornar-se um campo fecundo de missão, desde que preparemos Irmãs para assumirem com competência e espírito evangélico a tarefa de ensinar.

Quanto às esperanças, acredito profundamente que a nossa identidade continuará a florescer se mantivermos viva a semente do bem que temos vindo a semear. Uma presença simples, fiel e discreta, mas profundamente enraizada no Evangelho, é já um testemunho que fala por si. Presença de vida que envolve um testemunho de vida: é isso que sustenta a esperança e garante que a missão continuará a dar frutos, hoje e no futuro.”

Irmã Anarela Mendonça de Araújo, Noviça em estágio

Pergunta: Que valores ou atitudes das Irmãs considera mais inspiradores para a sua caminhada vocacional hoje?

Resposta: “Os valores e atitudes das Irmãs que mais me inspiram são a alegria, o acolhimento, a simplicidade, o testemunho, a partilha, a perseverança, a união, o amor e a abertura ao outro. Lembro-me de uma frase da nossa Madre Fundadora que me toca profundamente: ‘Feliz, mil vezes feliz sou eu, e por tudo dou graças a Deus.’ Estas atitudes das Irmãs têm sido uma grande inspiração na minha caminhada. Estou muito grata por tudo.”

 

Vozes da Comunidade Local

Suzana Abreu

“As Irmãs Dominicanas sempre estiveram muito presentes na paróquia. Dinamizaram a vida paroquial juntamente com os Padres, criaram e incentivaram o grupo de jovens a participar ativamente. A capela delas era o lugar onde nós, jovens, íamos rezar: ajudava-nos a estar com Deus, a estar uns com os outros e a crescer na fé em Jesus Cristo.”

Izabel Matança

“Eu tinha quinze anos quando as Irmãs chegaram a Castro Daire e passava muito tempo na casa delas. Muito do que sou hoje — o gosto pelo serviço, pelo voluntariado, por estar com as pessoas — vem do ambiente que encontrei junto das Irmãs Dominicanas. Todo o serviço que desenvolveram a nível pastoral e cultural teve grande influência nas pessoas: a proximidade, o carinho, a ajuda, a amizade… uma influência maravilhosa.”

Ângela Costa

“A vida das Irmãs Dominicanas é um incentivo para acreditar em Deus.”

Padre João Carlos

“Fui acólito no primeiro grupo criado pelas Irmãs Dominicanas, e foi com elas que aprendi a rezar a Missa. Devo-lhes imenso. O carisma dominicano está muito enraizado na paróquia de Castro Daire. Cresci a ouvir falar da Madre Teresa de Saldanha; uma das primeiras visitas que fiz na catequese foi ao Mosteiro de Santa Joana Princesa, em Aveiro. É uma grande graça para a Diocese de Lamego ter duas presenças dominicanas: há 50 anos as Dominicanas de Santa Catarina de Sena em Castro Daire e há 32 anos as Dominicanas de Clausura em Lamego. As Irmãs nunca fizeram barulho: visitavam os doentes, acompanhavam as pessoas no luto… eram presença de Evangelho.”

Conclusão

Celebrar estes 50 anos é reconhecer que Deus tem caminhado connosco. É agradecer às Irmãs que passaram, às que permanecem e às pessoas que, ao longo do tempo, acolheram a Congregação como parte da sua própria história. É também renovar o compromisso de continuar a fazer o bem sempre, com alegria, esperança e fidelidade ao carisma que nos identifica.

Que esta celebração seja memória agradecida e impulso para o futuro.
Que a luz de Santa Catarina de Sena continue a inspirar cada gesto, cada encontro e cada missão realizada em Castro Daire, concretizando sempre mais o ideal da Venerável Madre Teresa de Saldanha.

 

 

Irmã Maria Justina Câmbizi, DSCS

 

 

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