A missão dominicana continua a escrever-se através de histórias de entrega e confiança. Entre elas, destaca-se a experiência recente da Irmã Ediana Soares, timorense, que realizou pela primeira vez uma viagem sozinha de Timor-Leste até Angola — um percurso marcado pela coragem, pela fé e pela alegria do encontro fraterno. Melhor dito, a Irmã não partiu sozinha. Levou consigo o carinho da sua terra, a bênção da Congregação e a certeza de que Deus caminha à sua frente. E nós permanecemos unidas, celebrando este envio que renova a nossa fé na força da missão.
Na véspera da viagem, isto é, no sábado dia 21 de março, em Remexio, celebrou-se a cerimónia de envio e a Irmã Ediana recebeu a bênção de Deus através da imposição das mãos da Madre Geral – Irmã Rosilene Linares, e das Irmãs e formandas das duas Comunidades de Timor: Same e Remexio.
O seu “sim” generoso recorda-nos que a vocação missionária continua viva e fecunda, capaz de atravessar oceanos e unir povos na mesma fé.
Antes de partir, a Irmã Ediana recordou-se dos conflitos que assolam algumas regiões do Médio Oriente, segundo me revelou numa mensagem de WhatsApp. No entanto, a inquietação não superou a confiança: “A minha coragem foi grande, tinha certeza que não ia acontecer nada. Graças a Deus, viajei tranquilamente.” Assim descreve o início desta aventura missionária, vivida com serenidade e abandono nas mãos de Deus.
A chegada a Angola foi um momento de profunda emoção. No Aeroporto, aguardavam-na a Madre Provincial – Ir. Maria Manuela Nacandumbo, e cinco Irmãs – Ir. Antónia, Ir. Aurora, Ir. Margarida, Ir. Ana e Ir. Luana, numa receção calorosa que dissipou qualquer traço de cansaço. Ao chegar à comunidade Nossa Senhora da Paz, Km 9 – Viana, Casa de Formação, foi surpreendida por um acolhimento ainda mais tocante: as Noviças, Postulantes e a Irmã responsável entoaram um cântico de boas-vindas que, nas palavras da própria Irmã Ediana, “parecia o canto dos Anjos”.
A alegria das Irmãs e das jovens em formação fez com que se sentisse imediatamente em casa. Este ambiente fraterno confirmou-lhe, mais uma vez, que a missão é sempre lugar de encontro, de partilha e de renovação interior.
Com simplicidade e profundidade, a Irmã Ediana resume assim a sua experiência:
“Deus é muito bom. Ele lança novos desafios, Ele próprio ajuda a alcançar. O essencial é confiarmos totalmente n’Ele.”
A sua viagem a Angola não foi apenas um deslocamento geográfico, mas um passo de fé que testemunha a disponibilidade missionária que caracteriza o carisma dominicano, tão marcado pela itinerância. Tudo indica o quanto continua atual o pensamento da Venerável Madre Teresa de Saldanha: “Nosso Senhor chama-nos a fazer o bem em outras localidades, e quando há o desejo de trabalhar para a Glória de Deus e bem das pessoas, não faltam ocasiões de praticar a caridade”. A Irmã Ediana levou consigo a riqueza da cultura timorense, a força da sua fé e a alegria de servir, FAZENDO O BEM SEMPRE.
Agora, coloca tudo isso ao serviço do povo angolano, que a acolhe como irmã, companheira e testemunha do Evangelho.
A missão é sempre um encontro: encontro com novas realidades, novos rostos, novos desafios. Mas é, sobretudo, encontro com Deus, que precede cada passo e acompanha cada gesto. A partida da Irmã Ediana lembra-nos que a Igreja é missionária por natureza e que cada consagrada é chamada a ser presença de esperança onde quer que esteja.
A sua disponibilidade para servir além-fronteiras é um sinal luminoso para todos nós. Num mundo tantas vezes marcado pelo medo e pela indiferença, o seu gesto reafirma que o amor de Deus continua a mover corações e a inspirar vidas inteiras dedicadas ao bem.
A Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena agradece o seu testemunho, querida Irmã Ediana, e une-se em oração para que esta nova etapa continue a ser fonte de crescimento, serviço e alegria no Senhor.
Lisboa, 27 de março de 2026.
Irmã Maria Justina Câmbizi, DSCS.












