Deus, obrigada! Um ano e meio inesquecível de missão no Amazonas!
A caminho parei dez dias em São Paulo e tive a alegria de conhecer algumas comunidades nossas em São Paulo, Campinas (uma semana) e Amparo. Também fomos no santuário da Nossa Senhora Aparecida!
Em Tefê fomos muito bem acolhidas pelo bispo Dom Altevir. A Irmã Izide (minha catequista para receber o batismo) mais a Irmã Célia nos acompanharam até a casa missionária. Fomos na Lancha da Prelazia e o Dom Altevir veio conosco até Tamaniquá com a Secretária – Juliana – e os Motoristas. Fomos a cantar, bem animados. O povo nos acolheu com cânticos e foguetes.
Aprendi a dormir na rede, conheci novos sabores de frutas tropicais e típicos regionais. As crianças vinham apresentar novos frutos típicos. O povo de braços abertos, de mente aberta e sede de querer aprender. De mãos abertas para dar a nós e a quem precise: peixe, farinha, bananas… recebemos muitas ofertas. Oferecem também ajuda gratuita.
Foi uma missão de partilha e de aprendizagem. Aprendi com a sabedoria do povo e partilhei o que recebi, como nos falava o Professor Domingos Terra: o que recebemos de Deus e da Igreja é para dar a Igreja e não para “engorda espiritual”.
Uma experiência maravilhosa de estar com o povo, caminhar com o povo espiritualmente, nos valores, na vila e através da Canoa de motor com povo missionário, desde crianças a pessoas de terceira idade, com sol forte ou chuva e algumas vezes com Jesus no Santíssimo Sacramento! Uma experiência única até então! Outras vezes com imagem de São Francisco por ser área missionária de São Francisco.
Acolhem, dão tudo o que têm de comida na mesa e para levar e agradecem a ida e pedem – Voltam outra vez!
A natureza magnífica convida à contemplação e meditação. O Evangelho que nos habita, se torna estrada e guia e caminhamos seguindo claramente ou com tentativas / erros na resposta às situações do dia a dia, com o Povo e para o Povo em Deus. Como falava a Madre Fundadora – a Venerável Teresa de Saldanha, não faltaram oportunidades de fazer o bem e acolher o bem nas coisas simples como costurar, limpar sozinha ou em mutirão, ensinar, pregar, escutar e responder a algumas dúvidas e algumas perguntas até com novas perguntas como aprendi com Professor Tolentino Mendonça o caminho das Perguntas.
“As extremidades da vida têm mais disponibilidade de tempo e me parecem periferias existências. Uns abertos à vida que começa e outros sujeitos às faculdades físicas que se fecham e nova aprendizagem para o grande salto. Escuta e partilha de vida porque na memória se encontra a força. SOU O DEUS De Abraão de Isac e de Jacó”
Aos idosos e idosas se encontrava a lutar com a limitação, perguntava sobre o passado e contavam histórias magníficas e mais que ser para mim sabia que isso era um trampolim para eles e saía feliz. Às crianças caminhava ao lado também para ir descobrindo elas mesmas e novos caminhos de bem. É um caminhar com. Fui ajudante de catequese, fazendo a celebração da Palavra com escala e não tive títulos importantes ou liderei alguma pastoral. Quando me perguntavam o que fazes, respondia, nada.
Meditei muitas vezes em Jesus no Evangelho. Os governos são importantes como todos os serviços. Governar uma cidade ou dar de comer um faminto e limpar uma fralda, me parecem de igual importância porque se está ao serviço do humano. O importante é ver por onde Deus nos conduz nas circunstâncias da vida. Não faltam realmente as oportunidades de fazer o bem e até sentimos que somos limitados e queríamos ter 1000 braços, 1000 ouvidos, e centenas de horas por dia para o muito e é tão bom ver como caminhamos acompanhados pelos Anjos e Santos que Deus tem na terra e no Céu e Ele mesmo se revela neles e de tantos modos. Erramos muitas vezes, mas Deus não nos abandona. Louvado seja sempre

Irmã Arta Izabel Lekaj,
Dominicana de Santa Catarina de Sena

