A presença da Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena na Ilha da Madeira é marcada por um profundo compromisso com o serviço, a educação e o anúncio da esperança cristã. Ao longo dos anos, as Irmãs têm procurado responder com criatividade e fidelidade às necessidades concretas do povo madeirense, especialmente das crianças, jovens e famílias.
Neste espírito de verdade, compaixão e proximidade – tão próprios do carisma dominicano – a Irmã Teresa partilha, no texto que se segue, uma reflexão viva e atual sobre a missão da congregação na Madeira. Suas palavras iluminam não apenas a história, mas também o caminho que continuamos a construir juntas, com alegria e sentido de pertença.
Segue abaixo o texto integral da Irmã Teresa de Jesus Alves, escrito no âmbito dos 110 anos da Páscoa da Venerável Madre Teresa de Saldanha:
Celebrar 110 anos do nascimento da Venerável Madre Teresa de Saldanha para o Céu, é uma oportunidade que a Congregação tem para refletir sobre a santidade que somos chamadas a vivenciar no dia a dia. Ela dizia: “Nada se pode comparar com a alegria de ser toda de Deus” e outra “Desejo fazer o bem, em silêncio”. Dizia ela: “Assim se fazem as obras de Deus”
O traço mais vivo do nosso Carisma aqui na Madeira, hoje, é, em primeiro lugar, a nossa Presença como comunidade que somos, através da oração e testemunho de vida fraterna, e a missão que somos chamadas a vivenciar junto das crianças nas catequeses, os jovens e nas paróquias onde vivemos e trabalhamos.
A nossa presença e vivencia junto da Instituição de acolhimento de crianças e jovens (Abrigo Nª Sª de Fátima), não como primeiras na missão e na vida dos jovens, mas como testemunho de vida e acolhimento, com palavras amigas, e ajudando naquilo que for necessário.
Estamos a colaborar nas catequeses em duas paróquias: Santo Amaro e São Pedro.
Na nossa Paróquia asseguramos o projeto da Porta Aberta, onde cada Irmã está disponível para a escuta e atendimento das pessoas que aí recorrem. De quinze em quinze dias fazemos a celebração da palavra junto dos utentes do lar, dando a Sagrada Comunhão a quem o deseja. Atendemos e escutamos a população, que nos procura para conversar, damos atenção aos mais marginalizados, os pobres e os doentes. Realizamos visitamos a alguns doentes nos seus domicílios, dando-lhes algum apoio moral e espiritual.
A Venerável Madre Teresa de Saldanha dizia: “Deus acima de tudo”. Como Dominicanas de Santa Catarina de Sena a oração é um dos pilares da vida comunitária e pessoal. Através da oração levamos as pessoas a Deus e levamos os seus frutos a cada pessoa que encontramos no nosso dia a dia, fazendo o bem sempre e onde seja possível. Acreditamos que pela oração/contemplação, pelo estudo, pela vida fraterna e pela missão levamos Deus a cada pessoa.
A nossa Madre Fundadora dizia: “Nada de desanimar. Tudo é por Deus e estamos nas Suas mãos”, “Deus nunca abandona os que põem nele toda a confiança”. A Congregação tem vocações, embora neste momento tem havido poucas vocações portuguesas. Graças a Deus, há muitas vocações que estão a surgir noutros lugares, espalhados pelo mundo. Contudo acreditamos que, em Portugal e mesmo na Europa os jovens estão a fazer opções de vida e de Consagração com maior frequência. A JMJ, e o Jubileu foram para cada um de nós grandes desafios, para a mudança de vida, de atitude e de compromisso.
Atualmente somos apenas três Irmãs, mas dentro destes dias, vem uma Irmã mais jovem, durante seis meses fazer a sua experiência missionária junto de nós. E isso também é motivo de ação de graças. A comunidade está organizada, de forma que cada Irmã realize a missão, que lhe está confiada.
Sentimos que a comunidade madeirense tem grande apreço pela presença das Irmãs, que ao longo de muitos anos se têm dedicado a educação, e apoio social das crianças e jovens, quer no Abrigo quer na Fundação Cecília Zino e agora mais concretamente nas paroquias onde trabalham. Todas as irmãs que viveram e passaram por aqui, têm grandes recordações. Sempre fomos muito bem aceites e muito felizes.
Além das Irmãs temos os Amigos e os Voluntários Teresa de Saldanha que são o prolongamento da missão das Irmãs, porque, podem chegar onde as Irmãs não chegam, nesta grande Missão de Fazer o Bem Sempre, dando Jesus a cada homem e mulher com quem vivem.
Muitos dos leigos ligados à Congregação partilham a vida de oração e missão junto com as Irmãs.
Os leigos, podem participar ativamente na missão da Congregação. Ninguém ama o que desconhece, daí a importância da formação espiritual e congregacional para conhecer o Carisma da Congregação e da Ordem Dominicana, onde desde o início estamos inseridas espiritualmente.
Acredito que, como referimos anteriormente, os leigos são sempre uma interajuda grande na Missão de cada Comunidade. O Carisma da Venerável Madre Teresa de Saldanha, que legou à Congregação, é muito atual e além das Irmãs, os leigos também sentem que é uma forma de vivenciar o Evangelho, seguindo este carisma.
A reflexão da Irmã Teresa de Jesus Alves recorda-nos que a missão da Congregação na Madeira continua viva, fecunda e profundamente enraizada no carisma dominicano. Que estas palavras renovem em todos nós o desejo de servir com alegria, proximidade e esperança, caminhando sempre “para onde Deus nos chama a fazer o bem.
Que possamos, juntas, continuar a escrever esta história com fidelidade ao Evangelho e ao carisma de Venerável Madre Teresa de Saldanha.
Lisboa, 08 de janeiro de 2026
Irmã Maria Justina Câmbizi, DSCS









