Celebração dos 189 anos do nascimento da Madre Fundadora e das Bodas de Ouro de três Irmãs

Casa Mãe – 4 de setembro de 2026

A Casa Mãe da Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena viveu hoje um dia de profunda alegria e gratidão. Celebrámos duas festas numa só: os 189 anos do nascimento da Venerável Madre Teresa de Saldanha, nossa Fundadora, e as Bodas de Ouro de Vida Consagrada das Irmãs Rosa Catarina P. Figueiredo, Maria do Rosário Ferreira (ambas da Comunidade da Casa Mãe) e Lúcia Carmen (da Comunidade de Fátima), companheiras de caminhada desde a juventude.

A Eucaristia, celebrada pelas 11h30, reuniu Irmãs, familiares, amigos e colaboradores, num ambiente de profunda comunhão. A memória da Madre Fundadora — mulher de fé ardente, coragem apostólica e amor incansável ao bem — iluminou toda a celebração, inspirando também o testemunho das três Irmãs que hoje renovaram o seu “sim” de cinquenta anos.

O testemunho da Irmã Rosa Catarina

Para assinalar este ano jubilar, foi enviada às Irmãs Jubiladas uma entrevista sobre o percurso vocacional e missionário de cada uma. Partilhamos aqui alguns excertos das respostas da Irmã Rosa Catarina, que revelam a beleza de uma vida inteiramente dedicada a Deus e ao serviço dos outros.

  1. Raízes e início da vocação

Natural de Gamil, Barcelos, a Irmã Rosa iniciou o aspirantado em 1970, com apenas 16 anos. O primeiro desejo de ser religiosa nasceu aos 10 anos, no dia da sua Profissão de Fé: “Foi uma luz pequenina, mas depois foi crescendo dentro de mim.”

A catequista, os encontros da Ação Católica e a convivência com as Irmãs no Ramalhão foram decisivos para o discernimento: “A alegria das Irmãs, o serviço dedicado às crianças e a vida de oração tocaram profundamente o meu coração.”

  1. Momentos marcantes da vida consagrada

A Irmã Rosa recorda a primeira profissão como um passo decisivo: “Tinha a certeza de que o Senhor caminhava comigo, mesmo nas hesitações e medos.”

Entre as muitas missões que desempenhou, destaca o trabalho nos Lares de Acolhimento: “Foi aí que vivi a maternidade do coração. Nunca desisti de nenhuma criança; eram parte de mim.”

A catequese, presente ao longo de toda a sua vida, foi também fonte de grande alegria: “Sempre senti que devia dar aquilo que tinha recebido: a fé vivida em família.”

Como superiora provincial, guarda a riqueza de ter conhecido cada Irmã: “Foi uma graça enorme descobrir a beleza única de cada uma.”

  1. Vida comunitária e interculturalidade

A convivência com Irmãs de diferentes idades e culturas ensinou-lhe a escuta, o respeito e a abertura: “Aprendi a acolher cada pessoa como ela é. Nem sempre é fácil, mas é um caminho que dá alegria.”

A vida comunitária, para a Irmã Rosa, é essencial: “Cada comunidade deixou uma marca no meu coração. Quando estou ausente, sinto que me falta algo.”

  1. Espiritualidade dominicana

O primeiro livro que leu no Ramalhão foi A Alma Dominicana, que moldou a sua visão da Ordem. O estudo da vida da Madre Fundadora aprofundou ainda mais a sua espiritualidade: “O amor por esta mulher fantástica foi crescendo à medida que conhecia a sua entrega total aos outros.”

A frase que a acompanha até hoje é de Teresa de Saldanha: “O amor nunca descansa; é sempre generoso, zeloso, pronto.”

  1. Desafios e fidelidade

A adaptação às comunidades foi um dos maiores desafios: “Levava quase um ano até sentir: ‘estás onde deves estar’.”

O que a sustentou ao longo de cinquenta anos? “A certeza de que só o Senhor me sustenta. Ele nunca me abandona.”

  1. Mensagem às jovens e à Congregação

Às jovens que procuram a sua vocação, deixa um conselho simples e profundo: “Não tenham medo de escutar. O Senhor fala nos lugares mais inesperados.”

O seu sonho para a Congregação é o mesmo da Madre Fundadora: “Fazer o bem sempre e onde for possível.”

Às Irmãs, neste ano jubilar, deixa uma palavra de esperança: “Nunca desanimar. O Senhor está sempre connosco.”

  1. Ação de graças

A Irmã Rosa conclui com gratidão e humildade: “Dou graças ao Senhor por tantas coisas boas. Peço perdão pelas menos boas. Só posso dizer: obrigada, Senhor, por tudo.”

Um dia de graça e missão renovada

A celebração de hoje recorda-nos que a vida consagrada é um dom para a Igreja e para o mundo. A Madre Teresa de Saldanha continua a inspirar-nos com o seu ardor apostólico, e as nossas Irmãs jubiladas testemunham que a fidelidade é possível quando se caminha com Deus.

Que esta festa reacenda em todas nós o desejo de fazer o bem sempre, como nos ensinou a nossa Fundadora, e de viver a missão com alegria, simplicidade e entrega.

Irmã Maria Justina Câmbizi, DSCS

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