Teresa de Saldanha: Uma Vida que Continua a Gerar Vida

Queridas Irmãs, Colaboradores, ATS e VTS
189 ANOS — UMA SEMENTE QUE CONTINUA A NASCER

Há datas que apenas recordamos.
Outras, no entanto, devolvem-nos ao essencial e fazem-nos renascer.
O dia 4 de setembro é, para a nossa Congregação, uma data memorável que nos convida a renascer e a reafirmar a nossa vocação.
Há 189 anos, nascia em Lisboa Teresa de Saldanha.
Mas hoje não queremos simplesmente recordar o nascimento de uma mulher do século XIX. Queremos contemplar o mistério de uma vida que continua a gerar vida: uma semente que, lançada em terra boa, atravessou o tempo, as culturas, os continentes e as gerações.
Porque Teresa não nasceu apenas para o seu tempo.
Teresa nasceu para uma missão. Teresa nasceu para a Igreja. Teresa nasceu para os outros. Teresa nasceu para Deus.
E, de certo modo, Teresa continua a nascer sempre que um de nós escolhe servir em vez de se fechar em si mesma, acolher em vez de excluir, acreditar em vez de desistir, aproximar-se em vez de permanecer indiferente.
Esta vida que continua a gerar vida faz-nos recordar a imagem evangélica da semente de mostarda: pequena, silenciosa e aparentemente frágil, mas portadora de uma força extraordinária.
Assim foi também a vida de Teresa.
Naquele 4 de setembro de 1837, começava discretamente uma história de graça: aquela menina tornar-se-ia mulher consagrada, dominicana, Fundadora e modelo de santidade destinada a alcançar uma diversidade de pessoas e lugares.
Deus escondia uma missão naquela pequena vida. E Teresa deixou-se trabalhar por Deus.
Foi crescendo na oração, no amor pela Eucaristia, na escuta da Palavra, na devoção a Maria e no desejo de Fazer o Bem. O seu encontro com Cristo tornou o seu coração cada vez mais atento às necessidades dos mais vulneráveis.
A sua contemplação tornou-se olhar.
O olhar tornou-se compaixão concreta, sem distância nem indiferença.
A compaixão tornou-se serviço.
E o serviço tornou-se uma missão.
É assim que nasce um carisma: quando Deus encontra um coração disponível e o transforma em sinal da sua misericórdia.
Não nasce de um projeto meramente humano, nem de uma iniciativa sem raízes.
Nasce de um coração tocado por Deus, ferido pelo sofrimento do mundo e inflamado pelo desejo de servir.
189 anos depois, a questão não é apenas:
“O que fez Teresa?”
A questão é:
“O que quer Deus fazer através de nós hoje?”
Esta é talvez a forma mais bonita de celebrar a nossa Fundadora.
Porque a melhor homenagem que podemos prestar à Teresa é não falar demasiado dela.
É deixar o seu espírito viver em nós novamente.
Teresa renasce quando uma Irmã, uma vocacionada, uma formanda, um colaborador, um ATS ou um VTS se ajoelha diante do Senhor e diz: “Aqui estou, Senhor.”
Teresa renasce quando escolhemos a fraternidade, apesar das diferenças.
Teresa renasce quando saímos da nossa zona de conforto para encontrar alguém que sofre.
Teresa renasce quando acolhemos uma criança com ternura.
Teresa renasce quando uma jovem é acompanhada na descoberta da sua vocação.
Teresa renasce quando defendemos a dignidade daqueles que não têm voz.
Teresa renasce quando alguém encontra em nós uma razão para voltar a ter esperança.
Teresa renasce quando fazemos o bem em silêncio, sem necessidade de que alguém o saiba.
189 anos depois, a história de Teresa continua a abrir caminho em nós. Não é apenas memória agradecida do passado; é apelo vivo do Espírito, que hoje nos chama a acolher o carisma recebido como dom fecundo e responsabilidade confiada.
Neste 189.º aniversário, não peçamos apenas que a Venerável Madre Teresa olhe para nós. Peçamos a graça de olharmos para o mundo com os olhos de Teresa, isto é, com fé, ternura e audácia evangélica.
Então compreenderemos que celebrar Teresa de Saldanha não é apenas recordar que ela nasceu há 189 anos.
É permitir que, através de nós, a vida e a obra de Teresa de Saldanha continuem a renascer.
Por isso, com profunda gratidão pelo dom da nossa Fundadora e com esperança renovada no caminho que Deus abre diante da nossa Congregação, confiamos-lhe este presente e este futuro.

Lisboa, 1 de setembro de 2026
Fraternalmente,

Irmã Rosilene Linares,                                                                                                                                          Superiora Geral da Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena

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