Se os santos não são assim, como serão eles então?”

Teresa de Saldanha – sua fama de santidade

A Venerável Madre Teresa de Saldanha (Lisboa, 1837-1916) procurou, desde muito jovem, percorrer o caminho da santidade. Viveu e testemunhou a alegria de ser toda de Deus e de fazer o bem sempre. O seu rosto, tranquilo e sereno, expressava a beleza de uma vida de profunda intimidade com Deus, gasta ao serviço do Evangelho de Jesus.

 

FAMA DE SANTIDADE EM VIDA

Tendo em conta o clima hostilidade à Igreja, Teresa de Saldanha, ao lançar-se numa fundação com o objetivo de promover e proteger os mais desfavorecidos, chamou a atenção dos seus contemporâneos. Ainda em vida, gozava da reputação de pessoa excecional, predestinada, intitulando-a alguns Santa Teresa n.º 2, que por Nosso Senhor era capaz de mexer o céu e a terra.

O Bispo de Coimbra D. Manuel Correia de Bastos Pina deixou este eloquente testemunho da sua santidade: “Bendito seja o Senhor, que no meio destes cuidados e aflições deparou-nos uma Senhora de eleição, que troca as doçuras da família, as liberdades e gozos do mundo pela humildade, obediência e pobreza da vida religiosa e pelas mais santas austeridades. Devem muito a Vª Ex.cia os ministros da Igreja”.

Algumas pessoas não hesitaram em chamá-la diretamente santa, como o Conselheiro João Smith: “Que era uma santa já eu sabia, não só por o ouvir dizer a estranhos, como igualmente por favores recebidos. Acaba agora V. Ex.ª de me dar mais uma prova evidente de que o seu coração é cheio de tesouros de bondade e caridade.”

Durante a sua vida, foram publicados vários artigos em jornais, que comprovam a fama da sua santidade. O escritor Júlio de Castilho no Mundo Católico, de Abril de 1900, chamou-a Santa Teresa de Saldanha.

D. João Evangelista de Lima Vidal, que a conheceu pessoalmente, legou-nos um convincente testemunho: “… nem a revolução nem os anos conseguiram abater ou mesmo alterar a esplêndida serenidade da sua alma, a calma do seu sorriso, a doçura fidalga, ou, para melhor dizer, a unção cristã das suas maneiras… não foi preciso muito tempo para me aperceber, com assombro, do pleno meio-dia daquele espírito, da frescura cristalina do seu coração e, sobretudo, já não digo só da magnanimidade da sua alma no meio das adversidades e injustiças atrozes, mas da verdadeira auréola de santidade que irradiava da augusta fronte. Se os santos não são assim, como serão eles então?”

São muitas e significativas as demonstrações de veneração, admiração e gratidão à Ven. Teresa de Saldanha, comprovando, assim, a sua fama de santidade, em vida.

 

FAMA DE SANTIDADE NA MORTE

Logo que a Madre Teresa morreu, em 8 de Janeiro de 1916, surgiu, de modo espontâneo e constante, a opinião generalizada da sua santidade, e o povo, sobretudo os que tinham sido protegidos por ela, manifestou abertamente a sua veneração e começou a entregar-se à sua proteção, e muitos tocaram com terços, nas suas mãos, e todos a chamavam santa.

“A Madre perseguida, expulsa, espoliada, viu-se acompanhada à sua última morada por uma verdadeira multidão. Mais de cem carruagens e automóveis, acompanhavam os seus despojos e a multidão dizia já: Santa Teresa de Saldanha. Esta mesma multidão fazia tocar no seu hábito religioso medalhas e terços, e queria ainda trazer pedaços do hábito e da sua capa.” Houve até quem recolhesse pétalas das flores que a tocaram, e que se conservam até hoje, no Museu da Congregação. Numerosos documentos da época usam expressões que comprovam a fama da sua santidade: predestinada, grande santa dos nossos tempos; Santa Teresa de Saldanha, Mulher forte, agraciada com virtudes preclaras, com características dos bem-aventurados, enfim uma humilde figura de santa.

 

FAMA DE SANTIDADE ATÉ HOJE

A Madre Teresa de Saldanha gozou de fama de santidade ininterrupta, desde a altura da sua morte, 1916, até aos nossos dias. Ao seu túmulo no cemitério de Benfica, Lisboa, acorrem numerosos fiéis que aí encontram conforto e recebem graças. O reconhecimento e a fama da sua santidade irradiaram não só em Portugal, mas em diversos países, onde o povo a evoca e recorre à sua proteção. Todos desejam, com viva esperança, o reconhecimento da sua santidade, por parte da Igreja.

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