Como ser Semeadoras de Esperança que Transforma na Formação Inicial

“Os que semeiam com lágrimas colherão com alegria.” (Salmo 126,5)

Neste terceiro dia do VI Encontro Internacional das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, 21 de julho de 2026, a reflexão sobre a formação inicial foi conduzida pelo Padre Basílio Nuno Calundo, SJ, em substituição à Irmã Linda Sissimo, FMMDP. Com dinâmicas vivas e exemplos da própria vida, o sacerdote ajudou a aprofundar o compromisso de cultivar uma esperança enraizada em Cristo, capaz de transformar pessoas, comunidades e realidades.

Formação integral e esperança enraizada em Cristo

O Padre Basílio caracterizou a formação inicial como um ato contínuo de seguimento de Cristo, marcado pelo discernimento e pela purificação das motivações. Sublinhou que a formação deve ser integral, harmonizando as dimensões humana, espiritual, intelectual, comunitária, apostólica e missionária. Destacou ainda a importância da sexualidade como dimensão fundamental da existência humana.

A esperança, enquanto virtude teologal, foi apresentada como força que:

  • Cura feridas do passado.
  • Fortalece diante das crises.
  • Inspira criatividade missionária.
  • Abre caminhos de reconciliação.
  • Desperta compromisso com a justiça e a paz.

Na vida religiosa, esperança significa acreditar continuamente que Deus faz novas todas as coisas (cf. Ap 21,5).

Desafios e caminhos para a formação

Entre os principais desafios apontados estão: a cultura do imediatismo, o individualismo, a fragilidade emocional, o excesso de informação, a secularização, as crises vocacionais e o desgaste missionário. Tais realidades exigem uma formação permanente, personalizada e profundamente enraizada na espiritualidade.

Como caminhos concretos, destacou:

  • Acompanhamento espiritual e psicológico adequado.
  • Processos de discernimento contínuo.
  • Formação permanente e leitura orante da realidade.
  • Estudo dos documentos da Igreja.
  • Fortalecimento da vida comunitária e da cultura do cuidado.
  • Espaços de diálogo intergeracional.
  • Experiências missionárias e compromisso com os pobres.

Voz das jovens em formação

Na parte da tarde, realizou-se uma mesa-redonda com a participação das etapas formativas:

  • Postulantes, representadas por Domingas Sambuale
  • Noviças, pela noviça Jorgina João.
  • Juniores, pela Irmã Angelina Fernando.

Cada uma, com convicção e firmeza, partilhou o seu olhar sobre o tema, apresentando esperanças, desafios e perspetivas próprias da sua etapa. Os testemunhos foram profundos e inspiradores, despertando atenção para ações concretas e transformadoras na vida comunitária e missionária.

Compromissos para o futuro

No encerramento do dia, a Madre Geral, Ir. Rosilene Linares, convidou cada participante a escrever uma proposta concreta para ser implementada pelo Conselho Geral. As respostas revelaram criatividade, compromisso e esperança, dignas de serem levadas adiante.

Isso vai na linha das palavras conclusivas do Padre Basílio que recordou que ser semeadoras de esperança é uma vocação que exige coração disponível, fé profunda e formação permanente. É lançar sementes mesmo quando os frutos ainda não são visíveis. A obra iniciada pela Madre Teresa de Saldanha é da Igreja, e cada geração é chamada a colaborar, com disciplina e confiança no Espírito Santo.

Uma esperança audaz

Como nos recorda o Papa Francisco: “A esperança é audaz; sabe olhar para além das comodidades pessoais e das pequenas seguranças que estreitam horizontes, para abrir-se a grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna.”

Que Maria, Mãe da Esperança, e Santa Catarina de Sena acompanhem todas as religiosas consagradas na missão de formar discípulas missionárias que, com a força do Espírito Santo, sejam verdadeiras semeadoras de esperança que transforma.

 

Pela Comissão da Comunicação

(Ir. Nélia, Ir. Irene, Ir. Fabiana e Ir. Justina)

 

 

Scroll to Top